Como medir a verdadeira performance da sua internet corporativa


Como medir a verdadeira performance da sua internet corporativa

A performance da internet corporativa é um dos pilares mais críticos para a eficiência operacional e a competitividade de qualquer negócio moderno. No entanto, muitos gestores ainda se apegam à métrica mais superficial e facilmente comercializada: a velocidade de download, medida em Megabits por segundo (Mbps). Embora a velocidade seja importante, ela representa apenas uma parte da equação. A verdadeira performance da rede é uma combinação complexa de métricas que definem a estabilidade, a consistência e a capacidade de resposta da conexão, aspectos vitais para aplicações críticas como telefonia IP, videoconferências e sistemas em nuvem.

Para medir a eficácia real da sua internet, é preciso ir além do megabit e focar nos quatro pilares essenciais de uma conexão de nível empresarial.

1. Latência (Ping): O Tempo de Resposta da Sua Rede

O Ping (ou Latência) é a métrica mais crucial para a experiência em tempo real. Ele mede o tempo que um pequeno pacote de dados leva para sair do seu computador, viajar até o servidor de destino e retornar. É o indicador da agilidade da sua conexão.

  • Como Medir: Use ferramentas de teste de velocidade confiáveis (preferencialmente com o dispositivo cabeado) e monitore o valor do Ping.

  • Aplicações Críticas:

    • VoIP (Telefonia IP) e Videoconferência: Latência alta causa atrasos na fala, fazendo com que as conversas pareçam robóticas ou desalinhadas.

    • Sistemas de Negociação/Trading: Milissegundos de atraso podem significar a perda de uma oportunidade de negócio.

    • Sistemas em Nuvem Interativos (ERP/CRM): Latência alta torna o uso do software lento e frustrante, pois cada clique ou salvamento leva tempo demais para ser processado.

  • Parâmetros Ideais: Para a maioria das operações corporativas, o Ping ideal deve ser inferior a 50 ms. Para aplicações de tempo real (como trading ou videoconferência de alta qualidade), o valor deve ser abaixo de 20 ms.

2. Jitter (Variação da Latência): A Consistência da Entrega

O Jitter é a variação no Ping. Ele não mede o atraso em si, mas sim a inconsistência desse atraso. Em outras palavras, ele revela quão imprevisível é o caminho dos seus pacotes de dados.

  • Como Medir: O Jitter é frequentemente reportado junto com o Ping em testes avançados de rede ou por softwares de monitoramento de performance.

  • Aplicações Críticas: O Jitter é o grande inimigo da qualidade da voz e vídeo.

    • Se a Latência for 30 ms em um momento e 150 ms no próximo, o Jitter é alto. O sistema de voz não consegue compensar essa variação rapidamente, resultando em interrupções na chamada e a sensação de que a voz está "picotando".

  • Parâmetros Ideais: O Jitter deve ser o mais próximo possível de zero, idealmente abaixo de 30 ms para comunicações de voz e vídeo.

3. Perda de Pacotes (Packet Loss): A Confiabilidade da Transmissão

Os dados na internet são transmitidos em pequenos pedaços chamados "pacotes". A Perda de Pacotes ocorre quando um ou mais desses pacotes não chegam ao seu destino, forçando o sistema a retransmiti-los ou, pior, resultando em dados corrompidos ou perdidos.

  • Como Medir: Pode ser medido usando o utilitário ping -n no Prompt de Comando (Windows) ou Terminal (Mac/Linux), enviando um grande número de pacotes a um servidor e verificando a porcentagem de falhas na resposta.

  • Aplicações Críticas:

    • Transferência de Arquivos: Perda de pacotes pode levar a corrupção de arquivos ou falhas na transferência.

    • Streaming e VoIP: Causa travamentos de imagem, congelamento e silêncios súbitos em chamadas de voz, pois os dados (voz ou vídeo) simplesmente não chegam.

  • Parâmetros Ideais: A Perda de Pacotes deve ser zero (0%). Uma perda aceitável (tolerável apenas para navegação casual) é abaixo de 1% a 2%. Acima de 5%, a conexão é considerada de baixa qualidade e ineficaz para operações críticas.

4. Largura de Banda (Download e Upload): O Volume Máximo de Dados

A métrica mais conhecida, a Largura de Banda, mede o volume máximo de dados que pode trafegar. Na internet corporativa, é crucial diferenciar:

  • Download: A velocidade de recebimento de dados (acessar sites, receber e-mails).

  • Upload: A velocidade de envio de dados (enviar e-mails com anexos, fazer upload para a nuvem, transmitir vídeo em videoconferência).

Para a maioria das empresas, a velocidade de Upload é tão importante quanto a de Download, especialmente com o uso crescente de Cloud Computing e trabalho remoto.

  • Link Dedicado (SLA): Empresas que contratam um Link Dedicado desfrutam de uma conexão simétrica, onde as velocidades de Download e Upload são iguais e garantidas.

  • Links Compartilhados: Em conexões comuns de banda larga, a velocidade de Upload costuma ser significativamente inferior à de Download.

O Acordo de Nível de Serviço (SLA): A Verdadeira Garantia Empresarial

O KPI mais importante para a gestão de TI corporativa não é uma métrica técnica, mas sim um documento legal: o Acordo de Nível de Serviço (SLA).

Em um plano de internet residencial ou small business não dedicado, o provedor garante apenas uma porcentagem mínima da velocidade contratada (geralmente 40% da velocidade instantânea, conforme regulamentação). Em um Link Dedicado, o SLA é a garantia de que o provedor se compromete com métricas claras e mensuráveis de:

Métrica no SLA Descrição Importância
Disponibilidade (Uptime) Tempo em que a conexão estará 100% operacional. Essencial para a continuidade do negócio. Garantias comuns são de 99,5% a 99,99%.
Velocidade Mínima A velocidade mínima de Download e Upload que será entregue, sem flutuações. Diferencia-se dos links compartilhados que variam.
Tempo de Reparo (MTTR) Tempo máximo de resposta para a resolução de falhas. Garante que, em caso de interrupção, o serviço será restaurado rapidamente.
Latência e Jitter Máximos Limites aceitáveis para essas métricas críticas. Assegura a qualidade da comunicação em tempo real.

A verdadeira performance da internet corporativa não é o pico de velocidade que ela atinge em um teste, mas sim a consistência com que ela entrega baixa latência, zero perda de pacotes e a disponibilidade garantida pelo seu SLA. Ao monitorar essas métricas, o gestor de TI ganha a visão completa necessária para otimizar os recursos da empresa e garantir que a conectividade seja um ativo, e não um gargalo.

« Voltar